Empresário sob investigação da PF na Operação Cobiça Fatal possui quase R$ 500 milhões em contratos no Maranhão

O empresário Marilson Oliveira Raposo voltou a ser destaque nas notícias após uma série de denúncias que chegaram ao blog Joerdson Rodrigues. O blog iniciou investigações que revelam a existência de uma extensa rede empresarial, que tem uma forte presença em contratos públicos tanto no Maranhão quanto em outros estados do Brasil sob a administração do empresário.

A investigação realizada ao longo de vários dias envolveu a análise de milhares de documentos públicos, consultas a sistemas de transparência e dados oficiais, além de informações provenientes de órgãos de fiscalização. O intuito era entender a magnitude das operações empresariais ligadas ao grupo capitaneado por Marilson, bem como o volume financeiro gerado por contratos com entidades públicas.

As análises demonstraram que Marilson Raposo já foi investigado em várias ocasiões por agências policiais. Em 2020, ele foi um dos alvos da Operação Cobiça Fatal, desencadeada pela Polícia Federal para investigar supostas irregularidades em processos licitatórios e possíveis desvios de verbas federais destinadas ao combate à pandemia da Covid-19 em São Luís.

A operação focou na coleta de evidências e na ampliação das investigações sobre contratos na área da saúde. É importante destacar que ser investigado não implica em condenação judicial, garantindo aos envolvidos os direitos constitucionais à ampla defesa e ao contraditório.

Em 2017, Marilson também foi mencionado em uma operação conduzida pela Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC), com o auxílio do Instituto de Criminalística. Naquela ocasião, foram cumpridos mandados judiciais relacionados a investigações sobre fraudes em medidores de energia elétrica em um condomínio no bairro Cohajap, em São Luís.

Rede empresarial e contratos públicos

A pesquisa realizada pelo blog Joerdson Rodrigues revela que as empresas vinculadas ao grupo empresarial liderado por Marilson Raposo têm uma participação significativa em licitações e contratos administrativos com órgãos públicos estaduais, municipais e federais.

A investigação identificou diversos CNPJs associados a familiares do empresário, incluindo aqueles registrados em nome da esposa e do filho dele. Esses parentes aparecem como sócios ou administradores em várias firmas que operam principalmente nas áreas de terceirização de mão de obra, serviços administrativos e fornecimento de pessoal.

Apenas nos sistemas analisados, foram encontrados cerca de 220 contratos firmados com instituições públicas do Maranhão, totalizando aproximadamente R$ 375 milhões.

No entanto, as estimativas indicam que o total pode ser ainda maior. Isso se deve ao fato de que os dados levantados não incluem todos os contratos com instituições federais no Maranhão, como a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o Instituto Federal do Maranhão (IFMA) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), além dos aditivos desses contratos.

Caso todos os acordos sejam contabilizados, é possível que o valor total ultrapasse R$ 500 milhões, conforme as estimativas baseadas nas informações analisadas pela reportagem.

Falhas na transparência dos dados

Outro ponto observado durante a investigação diz respeito a possíveis falhas na atualização dos sistemas utilizados pelo Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA).

A análise documental revelou que alguns contratos não puderam ser localizados nos sistemas SACOP e SIC-Contrata, usados para monitorar as contratações públicas. A falta dessas informações compromete a consolidação dos dados e pode prejudicar a transparência exigida para órgãos fiscalizadores e para a sociedade civil.

Atuação interestadual

A investigação também sugere que as empresas ligadas ao grupo têm atuação fora das fronteiras maranhenses. Foram encontradas participações em licitações e contratos em estados como Goiás, Alagoas e no Distrito Federal.

A documentação analisada indica ainda que representantes comerciais e procuradores atuam em diversas regiões do país, uma estratégia comum entre empresas que operam nacionalmente em processos licitatórios.

Além da atuação junto a órgãos estaduais e municipais, o grupo também possui contratos com universidades federais e outras instituições públicas espalhadas pelo Brasil.

Caso Globalserv chama atenção

Uma reportagem publicada pelo blog Joerdson Rodrigues no dia 11 de junho destacou que essa empresa, atualmente sob gestão de Maurício Oliveira Alcântara Raposo, um jovem de 20 anos, está envolvida numa contratação que pode chegar quase a R$ 10 milhões com o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) para serviços terceirizados. Maurício é filho de Marilson.

Segundo fontes próximas ao empresário, há indícios de que Marilson estaria buscando maneiras nos bastidores para assegurar esse contrato ao filho como um tipo de introdução no mundo das licitações.

Documentos examinados pela reportagem mostram que essa empresa tem um histórico relevante na participação em contratos públicos e está inserida no contexto das empresas associadas ao núcleo investigado pelo blog.

A matéria também incluiu relatos sobre questionamentos acerca da competitividade das licitações vencidas pelo grupo nos últimos anos. Contudo, essas alegações carecem da apuração pelos órgãos competentes para determinar sua veracidade.

Próximos capítulos

Diante da quantidade significativa de documentos analisados e da complexidade da estrutura empresarial identificada, as investigações jornalísticas continuam avançando.

As próximas reportagens devem oferecer detalhes sobre a composição societária das empresas envolvidas, a evolução patrimonial do grupo empresarial, a distribuição dos contratos entre diferentes órgãos públicos e os vínculos empresariais encontrados durante as apurações. A finalização incluirá análises sobre holdings familiares.

O espaço permanece aberto para manifestações das pessoas mencionadas nesta matéria, respeitando os princípios do contraditório, da ampla defesa e do jornalismo responsável.

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